Já é Inverno - Um Café

O vento passa pelo meu corpo, me arrepia e me dá prazer. Amei essa combinação.
Passei  a manhã  torcendo para que esfriasse, o sol estava muito quente, nem parecia inverno; ventava muito pouco, não conseguia me refrescar  - eu estava indo trabalhar.
Tudo que eu mais queria era sossego, uma rede para deitar, balançar de leve, um copo de limonada bem gelada - igual nos filmes - um livro de suspense policial  para me "prender" e claro, um lugar aberto, natural, longe de todo esse movimento que se tornou parte da minha rotina.
Quando eu estava a caminho do trabalho, sinto que em um determinado momento o tempo parou, me lembro de que em uma árvore eu vi dois passarinhos - talvez recém-casados - assobiando e batendo as asas  com leveza e certa felicidade em um galho cheio de flores - agora recordo que era uma árvore frutífera - tive a impressão de que o casal estavam falando sobre todos nós(humanos) e naquele exclusivo momento de mim. Aposto que eles perceberam a forma como eu olhava para eles e caçoaram sobre a minha provável inveja que sentia deles, do meu coração agarrado a tantos sentimentos, da minha rotina que dia após dia questiono mais e mais. Não sei, mas esse movimento que os vi felizes no galho florido, parecia ter congelado em minha mente.
É incrível! Hoje cedo nem parecia inverno, estava muito quente, porém mais tarde, depois do trabalho, a noite mostrou o quão lindo é essa estação. O vento fraco que entrava nos furos de meu suéter, me deixava necessitado de um bom cobertor quando eu chegasse em casa. O sereno que despertava os trabalhadores da manhã chegava mais cedo do que devia, por volta das 23:30 da noite, apertou minha mão a temperatura ambiente e me forçou a sorrir espontaneamente por amar tanto essa estação.
Vividamente é caminhada a rebeldia de nossas idades. Somos de rotinas diferentes das históricas sociedades que criamos em nossa mentes.
A minha é essa, apenas uma pobre teimosia de querer amar até o que de longe poderia ser odiado. me sinto tão teimoso que o orgulho que costumava sentir se desfez em um piscar, me possibilitando amar a todos em suas humildes estações. Meu coração não é forte, descobri tem pouquíssimo tempo, mas amar é simples, não é atoa que amo o inverno, estação que ao dormir, continua viva em nossa alma, continua repetindo duas palavras: Vamos Amar!!!
Ao terminar aqui, vou me certificar da temperatura da garrafa que preparei horas atrás. Ela estava a 87 graus, agora, não mais do que 38. Temperatura que na nossa boca percebe-se que está frio. Enfim, por últimas palavras que parei para tomar café e voltei uma hora depois e você nem percebeu, mas sorriu por imaginar agora, saí para saborear um símbolo do despertar, de voltar a respeitar, de relembrar quem você é, de como é amar, um iniciar de um bom paladar, um café.


Carlos Coutinho
25 de Agosto de 2015

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